sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

"I know not what tomorrow will bring... " ("Eu não sei o que o amanhã trará")

Começo o post com as palavras finais do grande poeta português Fernando pessoa ( ou pessoas)e com elas uma reflexão diferente do fim do ano e do início de uma novo ano... a verdade é que sempre almeijamos um futuro fascinenate e brilhante, mas o que o amanhã nos trará????
Esse fim de ano ( como todo mortal) repensei a minha trajetória de 2007 e percebi o quanto preciso mudar e crescer para chegar onde eu quero.
Foi um ano de muitas dificuldades para mim que eu resumo na palavra " limitações" essas que me impediram de cresce e que agora eu consigo visualizar de uma outra forma: foram desafios para alcançar a plenitude...não achem que é um discurso de auto-ajuda, poi não é, é a percepção aguçada e madura que hoje me permite avaliar os fatos que passaram e me impedem de faz~e-los no futuro...
Como todo bom mortal eu faço planos e traços metas, pois querendo ou não, um novo ano é o início de um novo ciclo e as metas contribuem para o crescimento, é o saber onde se vai chegar, onde se quer ir ou como se quer ir... sei lá... s´sei que comigo funciona e nesse ano tenho muito o que mudar e se tiver vida para tocar pra frente com certeza 2008 marcará grandes acontecementos... aguarde e verá...
que 2008 chegue com sucessos!!!!!!!!!!!!!!!!

domingo, 21 de outubro de 2007

domingo, 14 de outubro de 2007

Uma homenagem...

PAULO AUTRAN




Fico pensando: estamos perdendo todos os "verdadeiros" atores e agora ficaremos com o quê?????

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Interessante... vale a pena ler!

30 mandamentos para ser leitor, escritor e crítica

Decalógo do leitor
Por Alberto Mussa

I - Nunca leia por hábito: um livro não é uma escova de dentes. Leia por vício, leia por dependência química. A literatura é a possibilidade de viver vidas múltiplas, em algumas horas. E tem até finalidades práticas: amplia a compreensão do mundo, permite a aquisição de conhecimentos objetivos, aprimora a capacidade de expressão, reduz os batimentos cardíacos, diminui a ansiedade, aumenta a libido. Mas é essencialmente lúdica, é essencialmente inútil, como devem ser as coisas que nos dão prazer.

II - Comece a ler desde cedo, se puder. Ou pelo menos comece. E pelos clássicos, pelos consensuais. Serão cinqüenta, serão cem. Não devem faltar As mil e uma noites, Dostoiévski, Thomas Mann, Balzac, Adonias, Conrad, Jorge de Lima, Poe, García Márquez, Cervantes, Alencar, Camões, Dumas, Dante, Shakespeare, Wassermann, Melville, Flaubert, Graciliano, Borges, Tchekhov, Sófocles, Machado, Schnitzler, Carpentier, Calvino, Rosa, Eça, Perec, Roa Bastos, Onetti, Boccaccio, Jorge Amado, Benedetti, Pessoa, Kafka, Bioy Casares, Asturias, Callado,Rulfo, Nelson Rodrigues, Lorca, Homero, Lima Barreto, Cortázar, Goethe, Voltaire, Emily Brontë, Sade, Arregui, Verissimo, Bowles, Faulkner, Maupassant, Tolstói, Proust, Autran Dourado, Hugo, Zweig, Saer, Kadaré, Márai, Henry James, Castro Alves.

III - Nunca leia sem dicionário. Se estiver lendo deitado, ou num ônibus, ou na praia, ou em qualquer outra situação imprópria, anote as palavras que você não conhece, para consultar depois. Elas nunca são escritas por acaso.

IV - Perca menos tempo diante do computador, da televisão, dos jornais e crie um sistema de leitura, estabeleça metas. Se puder ler um livro por mês, dos 16 aos 75 anos, terá lido 720 livros. Se, no mês das férias, em vez de um, puder ler quatro, chegará nos 900. Com dois por mês, serão 1.440. À razão de um por semana, alcançará 3.120. Com a média ideal de três por semana, serão 9.360. Serão apenas 9.360. É importante escolher bem o que você vai ler.

V - Faça do livro um objeto pessoal, um objeto íntimo. Escreva nele; assinale as frases marcantes, as passagens que o emocionam. Também é importante criticar o autor, apontar falhas e inverossimilhanças. Anote telefones e endereços de pessoas proibidas, faça cálculos nas inúteis páginas finais. O livro é o mais interativo dos objetos. Você pode avançar e recuar, folheando, com mais comodidade e rapidez que mexendo em teclados ou cursores de tela. O livro vai com você ao banheiro e à cama. Vai com você de metrô, de ônibus, e de táxi. Vai com você para outros países. Há apenas duas regras básicas: use lápis; e não empreste.
VI - Não se deixe dominar pelo complexo de vira-lata. Leia muito, leia sempre a literatura brasileira. Ela está entre as grandes. Temos o maior escritor do século XIX, que foi Machado de Assis; e um dos cinco maiores do século XX, que foram Borges, Perec, Kafka, Bioy Casares e Guimarães Rosa. Temos um dos quatro maiores épicos ocidentais, que foram Homero, Dante, Camões e Jorge de Lima. E temos um dos três maiores dramaturgos de todos os tempos, que foram Sófocles, Shakespeare e Nelson Rodrigues.

VII - Na natureza, são as espécies muito adaptadas ao próprio hábitat que tendem mais rapidamente à extinção. Prefira a literatura brasileira, mas faça viagens regulares. Das letras européias e da América do Norte vem a maioria dos nossos grandes mestres. A literatura hispano-americana é simplesmente indispensável. Particularmente os argentinos. Mas busque também o diferente: há grandezas literárias na África e na Ásia. Impossível desconhecer Angola, Moçambique e Cabo Verde. Volte também ao passado: à Idade Média, ao mundo árabe, aos clássicos gregos e latinos. E não esqueça o Oriente; não esqueça que literatura nenhuma se compara às da Índia e às da China. E chegue, finalmente, às mitologias dos povos ágrafos, mergulhe na poesia selvagem. São eles que estão na origem disso tudo; é por causa deles que estamos aqui.

VIII - Tente evitar a repetição dos mesmos gêneros, dos mesmos temas, dos mesmos estilos, dos mesmos autores. A grande literatura está espalhada por romances, contos, crônicas, poemas e peças de teatro. Nenhum gênero é, em tese, superior a outro. Não se preocupe, aliás, com o conceito de gênero: história, filosofia, etnologia, memórias, viagens, reportagem, divulgação científica, auto-ajuda – tudo isso pode ser literatura. Um bom livro tem de ser inteligente, bem escrito e capaz de provocar alguma espécie de emoção.

IX - A vida tem outras coisas muito boas. Por isso, não tenha pena de abandonar pelo meio os livros desinteressantes. O leitor experiente desenvolve a capacidade de perceber logo, em no máximo 30 páginas, se um livro será bom ou mau. Só não diga que um livro é ruim antes de ler pelo menos algumas linhas: nada pode ser tão estúpido quanto o preconceito.

X - Forme seu próprio cânone. Se não gostar de um clássico, não se sinta menos inteligente. Não se intimide quando um especialista diz que determinado autor é um gênio, e que o livro do gênio é historicamente fundamental. O fato de uma obra ser ou não importante é problema que tange a críticos; talvez a escritores. Não leve nenhum deles a sério; não leve a literatura a sério; não leve a vida a sério. E faça o seu próprio decálogo: neste momento, você será um leitor.

Decálogo do autor

Por Miguel Sanches Neto

Depois de leitor, você pode se tornar, então, escritor– embora, pasme, muitos hoje pulem a leitura, por julgá-la dispensável, e já desejem publicar

I - Não fique mandando seus originais para todo mundo.Acontece que você escreve para ser lido extramuros, e deseja testar sua obra num terreno mais neutro. E não quer ficar a vida inteira escrevendo apenas para uma pessoa. O que fazer então para não virar um chato? No passado, eu aconselharia mandar os textos para jornais e revistas literárias, foi o que eu fiz quando era um iniciante bem iniciante. Mas os jovens agora têm uma arma mais democrática. Publicar na internet. Há muitos espaços coletivos, uma liberdade de inclusão de textos novos e você ainda pode criar seu próprio site ou blog, mas cuidado para não incomodar as pessoas, enviando mensagens e avisos para que leiam você.

II - Publique seus textos em sites e blogs e deixe que sigam o rumo deles. Depois de um tempo publicando eletronicamente, você vai encontrar alguns leitores. Terá de ler os textos deles, e dar opiniões e fazer sugestões, mas também receberá muitas dicas.

III - Leia os contemporâneos, até para saber onde é o seu lugar. Existe um batalhão de internautas ávidos por leitura e em alguns casos você atingirá o alvo e terá acontecido a magia de um texto encontrar a pessoa que o justifica. Mas todo texto escrito na internet sonha um dia virar livro. Sites e blogs são etapas, exercícios de aquecimento. Só o livro impresso dá status autoral. O que fazer quando eu tiver mais de dois gigas de textos literários? Está na hora de publicar um livro maior do que Em busca do tempo perdido? Bem, é nesse momento que você pode continuar sendo um escritor iniciante comum ou subir à categoria de iniciante com experiência. Você terá que reduzir essas centenas e centenas de páginas a um formato razoável, que não tome muito tempo de leitura de quem, eventualmente, se interessar por um livro de estréia. Para isso,
você terá de ser impiedoso, esquecer os elogios da mulher e dos amigos e selecionar seu produto, trabalhando duro para que fique sempre melhor.

IV - Considere apenas uma pequenina parte de toda a sua produção inicial, e invista na revisão dela, sabendo que revisar é cortar. O livro está pronto. Não tem mais do que 200 páginas, você dedicou anos a ele e ainda continua um iniciante. Mas um iniciante responsável, pois não mandou logo imprimir suas obras completas com não sei quantos tomos, logo você que talvez nem tenha completado 30 anos. Mas você quer fazer circular a sua literatura de maneira mais formal. Quer o livro impresso. E isso é hoje muito fácil. Você conhece um amigo que conhece uma gráfica digital que faz pequenas tiragens e parcela em tantas vezes. O livro está pronto. E anda sobrando um dinheirinho, é só economizar na cerveja.

V - Gaste todo seu dinheiro extra em cerveja, viagens, restaurantes e não pague a publicação do próprio livro. Se você fizer isso, ficará novamente ansioso para mandar a todo mundo o volume, esperando opiniões que vão comparar o seu trabalho ao dos mestres. O livro impresso, mesmo quando auto-impresso, dá esta sensação de poder. Somos enfim Autores. E podemos montar frases assim: Borges e eu valorizamos o universal. Do ponto de vista técnico, Borges e eu estamos no mesmo nível: produzimos obras impressas; mas a comparação não vai adiante. Então como publicar o primeiro livro se não conhecemos ninguém nas editoras? E aí começa um outro problema: procurar pessoas bem postas em editoras e solicitar apresentações. Na maioria das vezes isso não funciona. E, mesmo quando o livro é publicado, ele não acontece, pois foi um movimento artificial.
V - Para o caso contrário, isto é, se você quer elogiar um livro que acha ruim – o das linhas finais do item IV, por exemplo –, há dois recursos clássicos: a) em relação à prosa desagradável, escatológica e/ou ilegível, diga que ela reproduz o incômodo e a irredutibilidade de sentidos do mundo contemporâneo; b) em relação à trama caótica e fragmentária, quando não se entende o que é início, o que é fim e do que é mesmo que estamos falando, afirme que a maçaroca reproduz, como uma “metáfora estrutural”, o caos fragmentário da sociedade pós-industrial.
VI - Nunca peça a ninguém para indicar o seu livro a uma editora. Se por acaso um amigo conhece e gosta de seu trabalho, ele vai fazer isso naturalmente, com alguma chance de sucesso. Tente fazer tudo sozinho, como se não tivesse ninguém mais para ajudar você do que o seu próprio livro. Sim, este livro em que você colocou todas as suas fichas. E como você só pode contar com ele...

VII - Mande seu livro a todos os concursos possíveis e a editoras bem escolhidas, pois cada uma tem seu perfil editorial. É melhor gastar seu dinheiro com selos e fotocópias do que com a impressão de uma obra que não será distribuída e que terá de ser enviada a quem não a solicitou. Enquanto isso, dedique-se a atividades afins para controlar a ansiedade, porque essas coisas de literatura demoram, demoram muito mesmo. Você pode traduzir textos literários para consumo próprio ou para jornais e revistas, pode fazer resenhas de obras marcantes, ler os clássicos ou simplesmente manter um diário íntimo. O importante é se ocupar. Com sorte e tendo o livro alguma qualidade além de ter custado tanto esforço, ele acaba publicado. Até o meu terminou publicado, e foi quando me tornei um iniciante adulto. Tinha um livro de ficção no catálogo de uma grande editora. E aí tive de aprender outras coisas. Há centenas de livros de iniciantes chegando aos jornais e revistas para resenhas e uma quantidade muito maior de títulos consagrados. E a maioria vai ficar sem espaço nos jornais. E é natural que os exemplares distribuídos para a imprensa acabem nos sebos, pois não há resenhistas para tantas obras.

VIII - Não force os amigos e conhecidos a escrever sobre seu livro. Não quer dizer que eles não possam escrever, podem sim, mas mande o livro e, se eles não acusarem recebimento ou não comentarem mais o assunto, esqueça e não lhes queira mal, eles são nossos amigos mesmo não gostando do que escrevemos. Se um ou outro amigo escrever sobre o livro, festeje mesmo se ele não entender nada ou valorizar coisas que não julgamos relevantes em nosso trabalho. E mande umas palavras de agradecimento, pois você teve enfim uma apreciação. E se um amigo escrever mal de nosso livro, justamente dessa obra que nos custou tanto? Se for um desconhecido, ainda vá lá, mas um amigo, aquele amigo para quem você fez isso e aquilo.

IX - Nunca passe recibo às críticas negativas. Ao publicar você se torna uma pessoa pública. E deve absorver todas as opiniões, inclusive os elogios equivocados. Deixe que as opiniões se formem em torno de seu trabalho, e talvez a verdade suplante os equívocos, principalmente se a verdade for que nosso trabalho não é lá essas coisas. O livro está publicado, você já pensa no próximo, saíram algumas resenhas, umas superficiais, outras negativas, uma muito correta. Você é então um iniciante com um currículo mínimo. Daí vocêrecebe a prestação de contas da editora, dizendo que, no primeiro
trimestre, as devoluções foram maiores do que as vendas. Como isso é possível? Vejam quantos livros a editora mandou de cortesia. Eu não posso ter vendido apenas 238 exemplares se, só no lançamento, vendi 100, o gerente da livraria até elogiou – enfim uma vantagem de ter família grande.

X - Evite reclamar de sua editora. Uma editora não existe para reverenciar nosso talento a toda hora. É uma empresa que busca o lucro, que tem dezenas de autores iguais a nós e que quer ter lucro com nosso livro, sendo a primeira prejudicada quando ele não vende. Não precisamos dizer que é a melhor editora do mundo só porque nos editou, mas é bom pensar que ocorreu uma aposta conjunta e que não se alcançou o resultado esperado. Mas que há oportunidades para outras apostas e, um dia, quem sabe...Foi tentando seguir estas regras que consegui ser o autor iniciante que hoje eu sou.

Decálogo do críticoPor Michel Laub

Ler por obrigação, ganhar pouco, ser odiado por autores criticados ou ignorados por você. Ante tantos dissabores, saiba para que serve, afinal, fazer crítica literária

I - Um bom começo pode ser a leitura de O imperador do vinho, de Elin McCoy, a biografia do americano Robert Parker. Trata-se da figura mais polêmica do universo milionário da enologia. Uma nota alta na The Wine Advocate, sua newsletter, é capaz de enriquecer um fabricante; uma nota baixa pode significar a falência. O olfato de Parker é segurado em cerca de US$ 1 milhão. Ao longo dos anos, percebeu-se que ele gostava de vinhos frutados. Muitas propriedades, até algumas tradicionais da França, passaram a chamar especialistas para estudar o solo, mudar a forma do plantio e da colheita, tudo para colher uvas que originassem vinhos adequados a esse gosto.

II - Saiba que esse talvez seja o exemplo máximo de crítico bem-sucedido no mundo de hoje – rico de fato, influente de fato, uma presença de fato essencial em seu meio. Quase todos os outros profissionais da categoria, trabalhem eles com música, cinema, gastronomia, televisão ou concursos de beleza, estão bem mais próximos da figura descrita por George Orwell em Confissões de um resenhista: “Trinta e cinco anos, mas aparenta cinqüenta(...) [trabalha num] conjugado frio, mas abafado (...). Dos milhares de livros que aparecem todo ano, é quase certo que existam 50 ou 100 sobre os quais teria prazer em escrever. Se for de primeira categoria na profissão, pode conseguir dez ou vinte. É mais provável que consiga dois ou três”.

III - Ou seja, prepare-se para uma atividade enfadonha e mal-remunerada. Você lerá só por obrigação. Nunca mais irá atrás de um livro indicado por um amigo. Nunca mais fechará um livro com a sensação de que, para o bem ou para o mal, não há nada a dizer sobre ele. Porque sempre haverá o que dizer. Se não houver, as contas não são pagas.

IV - Não se preocupe, porém. Há muitos truques para encher essas páginas em branco. Se você quer desancar um livro e não sabe como, recorra a alguns adjetivos algo abstratos em se tratando de literatura, mas ainda assim úteis numa resenha. A timidez, por exemplo. Argumente que o autor não explora suficientemente os conflitos de sua obra. Afinal, explorar conflitos é uma tarefa que não tem fim, e há um momento em que todo autor, por mais extrovertido que seja, precisa parar. Outros chavões sempre à mão: excesso de objetividade,excesso de subjetivismo, excesso de frieza, excesso de dramaticidade. A categoria das “idéias fora de lugar”, deslocada de seu contexto original, também ajuda bastante. Um romance correto, instigante e envolvente pode ser atacado por reproduzir um modelo “burguês” de contar histórias, incompatível com o nosso tempo. Um romance sem essas características pode ser destruído, justamente, por ser mal-escrito e não envolver o leitor.

V - Para o caso contrário, isto é, se você quer elogiar um livro que acha ruim – o das linhas finais do item IV, por exemplo –, há dois recursos clássicos: a) em relação à prosa desagradável, escatológica e/ou ilegível, diga que ela reproduz o incômodo e a irredutibilidade de sentidos do mundo contemporâneo; b) em relação à trama caótica e fragmentária, quando não se entende o que é início, o que é fim e do que é mesmo que estamos falando, afirme que a maçaroca reproduz, como uma “metáfora estrutural”, o caos fragmentário da sociedade pós-industrial.

VI - Usando desses truques, você está pronto para fazer nome devido à afinação com o vocabulário crítico de sua época. Mas se, por um desses acasos raros, você está decidido a realmente dizer o que pensa, há também dois caminhos a seguir. O primeiro é confiar cegamente nos seus juízos pessoais, não temendo a exposição de seus preconceitos íntimos em público. Assim, você terá mais chances de ser considerado um sujeito ranheta, excêntrico e/ou pervertido.

VII - O segundo caminho é considerar-se portavoz de um “sistema”, para o qual são válidas mesmo obras que não são do seu agrado (por questões sociológicas, por exemplo). Mesmo que os motivos sejam nobres – sua humildade para não se considerar o juiz definitivo sobre o que é ou não relevante em termos estéticos –, há boas probabilidades de você ser visto como um crítico sem alma, sem coragem, sem graça.

VIII - Independentemente de sua escolha, é inevitável que você seja desprezado. Todos dirão que seu desejo secreto era ser ficcionista ou poeta, que você é leviano demais, complacente demais, que tem algum interesse obscuro – ascender na carreira, agradar aos pares da universidade, arrumar um(a) namorado(a) – ou está a soldo de alguma entidade obscura – grupos literários rivais, editores, maçons, seitas religiosas, partidos políticos de esquerda (se você escrever numa pequena publicação) ou de direita (se receber salário de alguma corporação de mídia).

IX - Mais que isso: você será odiado. Pelos autores que você desanca. Pelos autores que você ignora. Pelos autores que você elogia (os motivos serão sempre os errados, na opinião deles). Pelos outros críticos. Por boa parte do público, mesmo por aquele que o lê com freqüência.

X - Mas se, apesar de tudo isso, você ainda insiste em abraçar a profissão, é bom se perguntar o motivo. Quando criança, usando o olfato, Robert Parker era capaz de listar todos os ingredientes dos pratos que estavam sendo cozinhados na vizinhança, habilidade que o tornaria um campeão absoluto dos “testes cegos” de identificação de uvas e safras. Isso se chama vocação. É o seu caso? Você se sente preparado para conjugar erudição e capacidade interpretativa em tamanha escala? Sendo a resposta afirmativa, trata-se de uma ótima notícia. Não só para você, que talvez tenha achado um modo honesto de ganhar a vida, mas para o próprio meio literário. Porque não há nada de que ele necessite mais, hoje ou em qualquer tempo: alguém que o ajude a firmar tendências, corrigir rumos, separar o joio do trigo. Diferentemente do que se diz, um crítico autêntico não é apenas o advogado do público. Ele é, em última instância, o maior defensor da própria literatura.

fonte: revista Entrelivros

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

devagar...

Depois de um fim de semana produtivo e inspirado começo a semana em marcha lenta... desanimada... questionando o futuro, o presente até o passado. tô tão confusa, com dor de cabeça, pós tpm ( comigo é pré e pós)sou diferente mesmo e nem queria ser igual a ninguém mesmo... aos poucos estou aprendendo a viver comigo mesma, com as dores, angústias, alegrias e felicidades....
o negócio mesmo é ir a luta!!!!!!!!

sábado, 6 de outubro de 2007

feliz dia das crianças

esse poema é para quem ainda acha que temos o que comemorar...
Infância bélica
Pequenos com arma em punho
Bélicos brinquedos infantis
Renegados choram sangue
Ilusão de uma infância feliz
Fazem parte de uma facção
Ou seria uma instituição?
Como uma família talvez
E sentem-se acolhidos
Em meio ao perigo
a dor não mais incomoda
O sorriso de criança se perdeu
Em meio aos devaneios loucos
Escondem seus rostos
Mas seguem armados
Para um destino traçado
Por uma bala de fuzil
Esse é o futuro guardado
Para as doces crianças do Brasil
Que não perderam à inocência
mas ganharam sangue em suas mãos
se futuro depende destas crianças
então futuro está manchado de sangue
sangue puro e nobre
desenhando a bandeira da nossa nação.

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

revolução

insurreição que tende a modificar a política ou as instituições de um Estado;

perturbação moral;

indignação;

nojo;

repulsa.
Esquecemos o que quer dizer essa palavra... diante de toda situação continuamos prostamdos e renegamos o nosso ´poder de mudança...

Uma ode á Revolução

Gritai, gritai oh irmãos!
Está na hora da revolução
Nada se conquista sentado
É preciso força e determinação

O mundo está um caos
Mas contribuímos com essa peça
o final pode ser reescrito
É o começo de uma guerra

Nem toda guerra exige sangue
Podemos reestruturar
erguer nossa bandeira
E tentar essa situação mudar

Não tomemos esse discurso
Como uma grande utopia
Pois essa é uma desculpa
Para continuar na apatia

Pensamentos e palavras
Transformam-se em ação
Com consciência seremos capaz
De libertar uma nação
By Narcisa
Incertas caminhadas

ruas tortas e passagens
não há um refúgio pra mim
não ouço ruidos não ouço passadas
é como gente morta caminhando sem fim

caminhando sem caminho
sem saber onde vai chegar
o desconhecido é um labirinto
e não tem quem me guiar

escuro, medo,angustias
é um eterno lamentar
essa prisão que me sufoca
e essa dor que nada pode aliviar

caminhos caminhos caminhos
com pés firmes a trilhar
mesmos com incertezas e inseguranças
sem saber se chegará

By Narcisa

terça-feira, 25 de setembro de 2007

sábado, 1 de setembro de 2007

literatura descartável

Outro dia assistir uma reportagem em que o assunto principal foi Leitura... me interessei no ato, mais não me conformei com os dados passados: O brasil lê mais!!! me assustei! estão lendo mais, mas estão lendo o quê???
Na verdade a grande procura do mercado " literário" é por livros de auto ajuda onde se consome o que lê no momento mas não se aproveita nada para sua vida, não cria uma visão critica nem desenvolve o conhecimento... é por isso que nos deparamos cada vez mais com jovens alienados e acostumados com tudo que lhe é imposto... a filosofia do tá bom assim está se alastrando e nem temos a oportunidade de reivindicar nossos direitos pois somos vetados por esses tipos de individuos.A lei é aceitar e entrar em sitonia com seu " eu sei lá o quê" e viver bem... bem????
Os livros literários estão sendos comidos pelas traças nas prateleiras das bibliotecas e os clássicos perderam seu valor, na verdade é muito difícil para um zumbi entender a filosofia e a literatura... mas ainda há pessoas que como eu continuam mantendo a leitura viva e não é por modismos que deixaremos que novas tendências calem nossas vozes e digam o que é melhor fazer... nunca desistirei de levantar a bandeira dos bons livros e da fortuna crítica que podemos adquirir com eles... nunca!!!

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Cansaço...

afff, dias intermináveis. Ás vezes parece que tudo cansa... o trabalho, a faculdade, a familia... é um desânimo que nem sei onde vai parar. A minha vontade: é de ficar deitada o tempo todo e compensar todo meu sono perdido ( ócio improdutivo mesmo), mas a necessidade é: não parar jamais e criar, produzir e correr atrás...
Amanhã prova de fonética... nem estudei, queria muito me identificar com a matéria mais não consigo... é mais forte que eu, odeio as bilabiais, fricativas, plosiva... na verdade tô plosiva mesmo rsrsrsrs só a literatura me liberta... Amada Literatura!!!!

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Multiculturalismo

Hoje estive em pleno debate sobre essa questão... se analisarmos o Brasil veremos e estamos dispostos a uma variedade de culturas que são negadas e silenciadas no nosso cotidiano. Aprendemos a " gostar " de algumas delas somente nos períodos de homenagens como o folclore ( tá mais atual pois foi essa semana)depois passamos um ano sem nem saber quais os festejos " populares " do nosso país e assim ainda convivemos com a política de inclusão. (fala sério) acho que nem sabemos qual o significado dessa palavra, o que se vê é a mídia bombardeando os seus moldes e nós comos zumbis continuamos consumindo e consumindo o que nos é imposto...
Talvez um dia haja o multiculturalismo no mundo mas pos enquanto viviemos subjugados a cultura dominante... vamos gritar e fazer ecoar a voz da nossa cultura!!!!


Abaixo vídeo do cordel do fogo encantado... valorizo e admiro esse grupo pois eles não tem vergonha de mostrar sua cultura... SALVE!!!!!!!!!!!!!!!!!


REFLEXÃO

“A Dignidade exige que sejamos nós mesmos.

Mas a Dignidade não é somente que sejamos nós mesmos.

Para que haja Dignidade é necessário o outro.

E o outro só é outro na relação conosco.

A Dignidade é então um olhar.

Um olhar a nós mesmos que também se dirige ao outro olhando-se e olhando-nos.

A Dignidade é então reconhecimento e respeito.

Reconhecimento do que somos e respeito a isto que somos, sim, mas também reconhecimento do que é o outro e respeito ao que ele é.

A Dignidade então é ponte e olhar e reconhecimento e respeito.

Então a Dignidade é o amanhã .

Mas o amanhã não pode ser se não é para todos, para os que somos nós e para os que são outros.

A Dignidade é então uma casa que nos inclui e inclui o outro.

A Dignidade é então uma casa de um só andar, onde nós e o outro temos nosso próprio lugar, isto e não outra coisa é a vida, e a própria casa.

Então a Dignidade deveria ser o mundo, um mundo que tenha lugar para muitos mundos.

A Dignidade então ainda não é .

Então a Dignidade está por ser.

A Dignidade então é lutar para que a Dignidade seja finalmente o mundo.

Um mundo onde haja lugar para todos os mundos.

Então a Dignidade é e está por construir.

É um caminho a percorrer.

A Dignidade é o amanhã ”..

MARCOS (sub-comandante) La Marcha del color de la tierra. (comunicados, cartas y mensajes del Ejército Zapatista de la Liberación Nacional del 2000 al 2 de abril del 2001) México, rizoma, 2001

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Mudanças... e mudanças

AH chega a sexta e eu me inspiro, depois de uma correria estressante pelo menos essa noite eu tiro pra descansar( descansar!!!) acho que não é bem assim... além do meu trabalho vem os numerosos trabalhos da faculdade e nem dá para parar... mas foi minha escolha né????
Mas falando em escolhas... eu escolhi tentar fazer teatro na UFBA, mas antes vou terminar minha graduação em Letras e aí sim partir para meu grande sonho... Pensei em desistir mas pensando bem: eu não posso desistir dos meus sonhos!!!! jamais então bola pra frente.
e falando em mudanças... hum nem sei porque o título foi mudança (KKKK) mas a verdade é que eu estou mudando e em todos sentidos possíveis e com certeza é pra melhor.
Aproveitando essa onda drumondiana que anda prairando sobre mim, eu vou deixar alguns de seus poemas aqui... poemas de amor... mas não pensem que estou apaixonada... ou eu sempre estive apaixonada???? e estou apaixonada... tô apaixonada???? será????


O Amor Bate na Aorta
Cantiga de amor sem eira nem beira,
o mundo de cabeçapara baixo,
suspende a saia das mulheres,
tira os óculos dos homens,
o amor, seja como for,é o amor.
Meu bem, não chores,
hoje tem filme de Carlito.
O amor bate na portao
amor bate na aorta,
fui abrir e me constipei.
Cardíaco e melancólico,
o amor ronca na horta entre pés de laranjeiraentre
uvas meio verdese desejos já maduros.
Entre uvas meio verdes,
meu amor, não te atormentes.
Certos ácidos adoçama boca murcha dos velhos
e quando os dentes não mordem
e quando os braços não prendem
o amor faz uma cócega
o amor desenha uma curva
propõe uma geometria.
Amor é bicho instruído.
Olha: o amor pulou o muro
o amor subiu na árvore
em tempo de se estrepar.
Pronto, o amor se estrepou.
Daqui estou vendo o sangue
que corre do corpo andrógino.
Essa ferida, meu bem,às vezes não sara nunca
às vezes sara amanhã.
Daqui estou vendo o amor irritado,
desapontado,mas também vejo outras coisas:
vejo beijos que se beijam
ouço mãos que se conversam
e que viajam sem mapa.V
ejo muitas outras coisasque não ouso compreender...

Ao Amor Antigo

O amor antigo vive de si mesmo,
não de cultivo alheio ou de presença.
Nada exige nem pede.
Nada espera,
mas do destino vão nega a sentença.

O amor antigo tem raízes fundas
,feitas de sofrimento e de beleza.
Por aquelas mergulha no infinito,
e por estas suplanta a natureza.

Se em toda parte o tempo desmorona
aquilo que foi grande e deslumbrante,a antigo amor,
porém, nunca fenece
e a cada dia surge mais amante.

Mais ardente,
mas pobre de esperança.
Mais triste? Não. Ele venceu a dor,
resplandece no seu canto obscuro,
tanto mais velho quanto mais amor.

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Depois do drama...

eu coloco as palavras de Drummond que com certeza dá vazão ao período que estamos passando e na verdade eu me sinto como ele: limitada, sem nada a fazer e com " apenas duas mãos" para suportar todo esse sentimento...


Sentimento do Mundo
Tenho apenas duas mãos
e o sentimento do mundo,
mas estou cheio de escravos,
minhas lembranças escorrem
e o corpo transige na confluência do amor.
Quando me levantar,
o céu estará morto e saqueado,
eu mesmo estarei morto,
morto meu desejo,
morto o pântano sem acordes.
Os camaradas não disseram
que havia uma guerra
e era necessário trazer fogo e alimento.
Sinto-me disperso, anterior a fronteiras,
humildemente vos peço que me perdoeis.
Quando os corpos passarem,
eu ficarei sozinho
desfiando a recordação do sineiro, da viúva e do microscopista
que habitavam a barraca
e não foram encontrados ao amanhecer
mais noite que a noite.
( Carlos Drummond de Andrade)
PS: Hoje recebi as fotos do acidente e é chocante ( e olha que sou acostumada a ver essas coisas!) ver a situação que ficaram aqueles seres humanos... naquele momento eles tem tem mais identidade... as chamas levou mais que suas vidas... ´nessas horas não tem discriminção de corpos bonitos ou não, tudo ficou reduzido a quase nada... temos que ter muita força!!!

domingo, 22 de julho de 2007

Luto e desespero


Ainda estou chocada com a cena dessa semana, o acidente com o air bus da TAM que vitimou quase 200 pessoas. Foram momentos de angústias e desespero que finalizou com o luto de inúmeras famílias: são filhos sem pais; pais sem filhos; maridos sem esposas; esposas sem maridos e famílias sangrando por não terem nem tempo de dizer um " adeus" . E a grande discurssão taí: QUEM SÃO OS CULPADOS???? é ema bola de ping-pong, nessas horas ninguém quer se responsabilizar mas a verdade está aos nossos olhos e nós cidadãos é que somos os punidos, estamos inseguros, traumatizados, indignados, fragilizados e em luto e é de vital importância solucionarmos logo esse problema ao invés de ficarmos jogando a bola para cada lado.

NÃO QUEREMOS MAIS VER NOSSOS IRMÃOS MORRENDO ASSIM...

NÃO DÁ MAIS PARA VIVER ASSIM...

QUEREMOS SEGURANÇA E TRANQUILIDADE

QUEREMOS VOAR EM PAZ


Também deixo aqui minha condolências a todas as famílias que hoje vivem esse drama..

quarta-feira, 11 de julho de 2007

UM BOM PROGRAMA PARA OS FINS DE SEMANA

Salvador ganha sala de cinema com preços populares


A população de Salvador ganha hoje (6) mais uma sala de cinema com exibição de filmes a preços populares. A iniciativa é fruto do Projeto Sala de Arte-UFBA, que inaugurou o espaço no Pavilhão de Aulas da Ufba no bairro do Canela, com capacidade para 110 pessoas, além de contar com galeria e café. O ingresso custa R$ 4, com preço diminuído pela metade em um dia da semana. A programação de estréia conta com a exibição do inédito documentário 'A odisséia musical de Gilberto Mendes' (2005), sobre um dos maiores compositores brasileiros de música erudita do século XX, dirigido por seu filho, Carlos de Moura Ribeiro Mendes, além do filme do 'A batalha de Argel' (1966), do diretor italiano Gillo Pontecorvo, na sessão Cineclube.
*Com informações da UFBA
Fiquei feliz e ansiosa com essa iniciativa, vai ser um local alternativo, onde pode-se assistir vários tipos de filmes ( não comerciais), além de ser um local agradável para troca de conhecimentos e para conhecer pessoas que tem em comum o gosto pelo cinema - sem modismos - quando for em Salvador já tenho um bom programa e quem já mora aí vale a pena prestigiar...


sábado, 7 de julho de 2007

Inspiração e trabalho

Estou em plena produção literária, estou escrevendo e criticando bastante meus escritos, para se atingir a perfeição é necessário correção. Eu concordo com joão cabral quando ele diz que escrever exige 50% de inspiração e 50% de suor, internalizamos que os artistas em geral são iluminados para produzir e que na verdade eles só utilizam a inspiração, quando na verdade não o é. A maioria dos grandes escritores em seus rascunhos demonstram o quanto trabalharam para chegar em um texto final. Assim deixo um artigo que li de Antonio Cícero e que concordei com os escritos dele sobre inspiraçãoXtrabalho.

A poesia é um segredo dos deuses?

Por Antonio Cicero


NUMA MESA-REDONDA de que participei recentemente, no encontro de escritores que tem lugar anualmente em Póvoa de Varzim, no norte de Portugal, o tema proposto para discussão foi: "A poesia é um segredo dos deuses". A propósito desse assunto, lembro que João Cabral dividia os poetas entre aqueles que tinham a poesia espontaneamente, como presente dos deuses, e aqueles -entre os quais ele mesmo se situava- que a obtinham após uma elaboração demorada, como conquista humana. Ora, o tema da nossa mesa havia sido proposto tanto para deixar à vontade os poetas do primeiro grupo, isto é, os que acreditam na inspiração, quanto para provocar os do segundo, isto é, os que não acreditam nela, de maneira que uns e outros se sentissem livres para expor as suas poéticas divergentes. Quanto a mim, não sinto que caiba inteiramente em nenhum desses dois grupos. Certamente considero uma tolice pensar que a poesia seja pura inspiração, pura dádiva dos deuses; mas penso que há também um quê daquela violência que os gregos chamavam de "húbris", um quê de insolência e arrogância na tese de que ela seja o resultado plenamente consciente e calculado do trabalho. A inspiração é o nome que damos à contribuição indispensável do incalculável, do inconsciente, do acaso e mesmo do equívoco à elaboração do poema. Nenhum grande poeta -nem mesmo João Cabral- jamais pôde deixar de se fazer disponível e receptível à irrupção dessas gratas e imprevisíveis contribuições. "A arte ama o acaso", diz Aristóteles, com razão, "e o acaso, a arte". E o acaso e a arte se encontram inextricavelmente entrelaçados na feitura do poema. A tal ponto isso me parece verdade que não acho muita graça nas boutades segundo as quais a poesia seria 10% inspiração e 90% transpiração. Por quê? Porque elas sugerem a idéia comum e equivocada de que o poeta tem, em primeiro lugar, a inspiração, para depois ter o trabalho de desenvolvê-la e poli-la. Ora, penso que é justamente durante o trabalho, na busca de alternativas ao imediato e fácil, ou na tentativa de solucionar problemas criados pelo desenvolvimento do próprio poema, que a inspiração é mais solicitada e bem-vinda; e, por sua vez, a incorporação do impremeditado ao poema exige sempre uma nova elaboração, de modo que jamais se pode saber ao certo quanto do resultado final se deve à inspiração ou ao trabalho. O fato é que a mim são muito simpáticos os deuses que representam as fontes de inspiração dos poetas, como Apolo e as Musas. A estas, aliás, já dediquei, em gratidão, pelo menos um dos poemas que fiz. Entretanto, dado que também reconheço o papel indispensável do trabalho consciente na produção dos poemas, não acho correto dizer que a poesia seja um presente delas. E, por duas razões, parece-me claro que a poesia não pode ser um segredo dos deuses. A primeira é que a poesia é um fenômeno humano, demasiadamente humano. Longe de consistir numa atividade puramente racional, ela lida com o que é particular, finito, humano. Ela usa palavras particulares de línguas particulares, finitas, humanas. Ela lida com a morte, a paixão, a perda, a ilusão, a esperança, o medo, a imaginação, o cômico, o trágico etc., que são realidades particulares, finitas, humanas. E a própria beleza da poesia é encarnada, sensual, particular, finita, humana. Os deuses -imortais, olímpicos, abençoados, oniscientes- não entenderiam tais coisas ou as desprezariam, pois se encontram muito acima delas. Conhecendo a poesia, o ser humano conhece uma maravilha que nenhum deus é capaz de conhecer. Ademais, a poesia não pode ser um segredo, nem dos deuses, nem dos homens, nem mesmo do ponto de vista lógico. Por quê? Porque um segredo é algo que, em princípio, poderia ser revelado. Por exemplo, a fórmula de uma bomba ou a receita de um doce podem ser segredos, porque podem, em princípio, ser revelados. Se alguém diz que sabe um segredo, mas que não seria capaz de revelá-lo de modo nenhum, essa pessoa está mentindo. Um segredo tem que ser conhecido ao menos por uma pessoa ou um deus. Ora, é possível fazer um bom poema, mas não é possível, nem em princípio, saber como deve ser um poema, para ser bom. Essa é, na verdade, uma das poucas certezas que um poeta pode ter: é absolutamente inconcebível que haja fórmulas, receitas ou segredos -divinos ou humanos- para a feitura de um bom poema. Logo, a poesia não é um segredo dos deuses.

Uma breve crônica brasileira

Maria Alice, 25 anos. Recém graduada em administração de empresas e com um currículo de dar inveja a qualquer cidadão. Sai de casa todos os dias ás 06:30h da manhã cheia de esperanças de final da tarde voltar para casa com um emprego, mais hoje ainda não é o seu dia de " sorte". Volta para casa cansada e frustada. Sua mãe e seu pai aguardam ansiosos e ouvem a fatídica resposta da filha... Não foi hoje... ainda! Seu pai indignado reclama, xinga, implora. Sua filha com tantos cursos, fez faculdade, é inteligente, o que será que está faltando? Maria Alice com toda calma do mundo explica que infelismente o mercado está aberto para pessoas com " experiência" . Novamente seu pai fica enfurecido e preocupado pois experiência se conquista com trabalho e no momento isso é que faltava a sua filha, será que ela nunca conseguiria colocar em prática tudo o que estudou? e no auge da indignação pede para que sua filha desista de todo dia correr atrás de algo que talvez nunca fosse conseguir. E Maria Alice com sua calma habitual sorri e fala a seu pai: - Papai, não posso desistir, não se esqueça de que " SOU BRASILEIRA E NÃO DESISTO NUNCA!!!" E no dia seguinte sua história se inicia novamente...

FUTURO...

"O futuro tem muitos nomes. Para os fracos, é o inatingível. Para os temerosos, o desconhecido. Para os valentes, a oportunidade." -- Victor Hugo

Hoje estava pensando no futuro, o que me espera??? tenho tantos planos e metas que corro atrás para realizá-los, porém ás vezes me pego pessimista e insegura... mas se o alicerce for bom a construção será forte e é isso que eu espero. Estou (re) lendo Genealogia da Moral de Nietzsche e novamente estou em meio ao desequilíbrio para retornar ao equilibrio ( dá pra entender???) na verdade estou trabalhando em meu projeto de pesquisa que vai fazer uma análise do livro noite da taverna de Álvares de Azevedo sob uma visão da moral segundo Nietzsche, ainda não comecei só estou fazendo as citações, quando ficar pronto eu publico aqui... RS